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Ciência x Religião – a opinião de Marcelo Gleiser

“O debate entre ciência e religião restringe-se na maior parte das vezes à discussão de sua mútua compatibilidade: será possível que uma pessoa possa questionar o mundo cientificamente e ainda assim ser religiosa? Acredito que a resposta é um óbvio sim, contanto que seja claro para essa pessoa que ambas não devem interferir entre si de modo errado, ou seja, que existem limites tanto para a ciência como para a religião.
Cientistas não devem abusar da ciência, aplicando-a a situações claramente especulativas, e, apesar disso, sentirem-se justificados em declarar que resolveram ou que podem resolver questões de natureza teológica.Teólogos não devem tentar interpretar textos sagrados cientificamente, porque estes não foram escritos com esse objetivo.
Para mim, o que é realmente fascinante é que tanto a ciência como a religião expressam nossa reverência e fascínio pela Natureza. Sua complementaridade se manifesta na motivação essencialmente religiosa dos maiores cientistas de todos os tempos. A reverência que tanto os inspirou, e que me inspira a ser um cientista hoje, é em essência a mesma que inspirou os criadores de mitos de outrora. Quando, nos confins silenciosos de nossos escritórios, nos deparamos com algumas das questões mais fundamentais sobre o Universo, podemos ouvir, mesmo que sufocados pelo som monótono dos computadores, o canto de nossos antepassados ecoando no tempo, convidando-nos para dançar”. – Marcelo Gleiser in A dança do Universo.”

É prof. Marcelo, convidando-nos para dançar, como o sr. mesmo diz: A dança do universo.

Montagem sobre fotos de Maurilo Clareto/ÉPOCA e reprodução

Montagem sobre fotos de Maurilo Clareto/ÉPOCA e reprodução

Esse trecho do livro “A dança do universo”, logo no comecinho da leitura dá a tônica deste excelente livro de Gleiser que trata sobre a origem da vida e do universo sempre contrapondo a ciência e a religião e o fascínio do que ele chama de “A pergunta” causa nele e em todos aqueles curiosos (que como eu) gostariam de verdaderiamente saber “o mistério”, a verdade “como ela será por toda a eternidade”, enfim, conhecer, saber, desvendar em meio às pertinentes perguntas (que as crianças tanto nos fazem) os sabores, as delícias do transcendente. Recomendadíssimo o livro de Gleiser, leitura leve, sem tecnicismos que tanto metem medo nos incautos, e que revela o prazer de conhecer um pouco mais os mistérios do universo.

2 comments Sábado, 4 Julho, 2009

A clarividência de Sêneca

“Tempo virá em que uma pesquisa diligente e contínua esclarecerá aspectos que agora permanecem escondidos. O espaço de tempo de uma vida, mesmo se inteiramente devotada ao estudo do céu, não seria suficiente para investigar um objetivo tão vasto… este conhecimento será conseguido somente através de gerações sucessivas. Tempo virá em que os nossos descendentes ficarão admirados de que não soubéssemos particularidades tão óbvias a eles… Muitas descobertas estão reservadas para os que virão, quando a lembrança de nós estará apagada. O nosso universo será um assunto sem importância, a menos que haja alguma coisa nele a ser investigada a cada geração… A natureza não revela seus mistérios de uma só vez”.

Sêneca, Problemas Naturais Livro 7, século I

Add comment Quarta-feira, 13 Maio, 2009

Dia nacional da Matemática

Bom, ao menos uma coisa vossas excelências, os nossos parlamentares sabem fazer bem: criar feriados e datas comemorativas.
Pois bem, hoje comemora-se (sem muito alarde, é verdade!) o DIA NACIONAL DA MATEMÁTICA. Hoje, dia do nascimento do grande carioca Julio César de Mello e Souza, mais conhecido como Malba Tahan. Sim, ele mesmo, autor de “O Homem que calculava”, brasileiríssimo como eu (embora menos miscigenado que eu, eu creio! rsrs).
Malba Tahan era um divulgador da matemática além de amante e professor da arte de Arquimedes, Leibiniz, Diofanto, Euclides, Newton , Bhaskara, Euler, Gauss, Fermat e muitos, muitos outros cérebros que contribuíram para a construção de nossa sociedade, de nossa ciência e de tudo o que nos possibilita a sociedade atual ser do jeito que ela é.
Malba Tahan foi mais do que um amante da Matemática. Ele imaginava que essa bela ciência era bem melhor ensinada e aprendida se fosse (oh! Horror dos horrores dos maus professores), vejam só, DIVERTIDA.
Ainda há muitos que acreditam nessa possibilidade. Para todos os mestres que fazem da arte de Pitágoras um divertido aprendizado e para o grande Malba Tahan, os mais sincerosos e honrosos parabéns.

Add comment Quarta-feira, 6 Maio, 2009


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